Reversão da laqueadura – Tem como? Riscos, Quanto custa, o SUS faz?

A reversão da laqueadura é um procedimento delicado e que tem sucesso em somente 50% dos casos. Isso quer dizer que nem todas as mulheres que revertem conseguem engravidar novamente, tudo dependerá de como for a cirurgia, afinal, a laqueadura é um método de esterilização voluntário, considerado permanente.

Uma pesquisa publicada em 2004, pela UNICAMP, mostra que 10% das mulheres que se submeteram à laqueadura se arrependeram. Outro estudo divulgado pela Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia indica que a maior parte (60%) das 147 mulheres entrevistadas que quiseram reverter o procedimento tinham entre 26 e 30 anos – o que, entre os médicos, já é uma idade arriscada.

como reverter laqueadura

Como fazer reversão de laqueadura gratuita pelo SUS?

Quem realiza a cirurgia para ligação das trompas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) passa, obrigatoriamente, por palestras de conscientização da condição irreversível do procedimento, já que, ao contrário da cirurgia de esterilização, a reversão do procedimento não é gratuita e nem mesmo consta na lista de procedimentos do SUS. Dessa forma, quem deseja deve investir em clínicas particulares.

No sistema público de saúde é gratuita a laqueadura como uma forma de controle de natalidade. O procedimento é oferecido a pessoas com mais de 18 anos e que tenham, pelo menos, 2 filhos nascidos, ou então que não tenham filhos, mas que tenham mais de 25 anos. Já mostramos, aqui, como solicitar a laqueadura ou vasectomia pelo SUS. 

Por conta disso, recomenda-se que quem ainda não tem a certeza se quer ter filhos no futuro opte por opções reversíveis, como o dispositivo intrauterino (DIU), ou métodos contraceptivos tradicionais, como uso de camisinha, anel vaginal ou pílula anticoncepcional.

Quanto custa a cirurgia?

A cirurgia de reversão da laqueadura nem sempre é inteiramente coberta pelos planos de saúde. Se você tem um convênio médico, será preciso conferir. O preço das clínicas particulares variam muito conforme o médico, podendo chegar entre R$4.000,00 a R$6.000,00.

Como é feita a salpingoplastia, a cirurgia de reversão da laqueadura?

A reversão da laqueadura é uma cirurgia chamada de salpingoplastia. O procedimento é considerado de risco e costuma ser muito mais complexo do que a laqueadura em si.  A técnica consiste em  religar as trompas uterinas, por meio de laparoscopia, de modo que o óvulo consiga ser novamente expelido e fecundado por um espermatozoide, durante uma relação sexual.

No entanto, não são todas as cirurgias que são bem sucedidas. Após a reversão tubária, é preciso esperar de 6 meses a um ano completo para tentar engravidar novamente.

Dependendo da habilidade do cirurgião, da idade da mulher, do comprimento das trompas ou da lesão causada pela laqueadura nem é aconselhado tentar o processo de reversão, pois as chances de engravidar novamente são poucas. Caso queira entender como funciona a laqueadura, confira o texto sobre a esterilização feminina. 

reversão de laqueadura

Posso engravidar depois de reverter a laqueadura?

Na pesquisa divulgada pela Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, já mencionada, mostra-se que as taxas de sucesso da renastomose tubárea são de 30% a 48%. A principal dificuldade constatada entre as mulheres entrevistadas é a de não conseguir realizar o procedimento por conta dos altos custos e da não disponibilização pelo SUS. Assim, mais da metade das mulheres acabou desistindo do tratamento após a primeira consulta e somente 21% insistiram na reversão.

Quanto mais velha for a mulher, menores serão as chances de engravidar depois de ter feito a reversão da laqueadura. Também, quanto mais recente for a cirurgia de esterilização, maiores serão as chances de reversão. Além disso, a possibilidade dependerá do método usado na cirurgia de laqueadura – as que foram feitas com anel de plástico ou clipes de titânio são mais fáceis de reverter;  já quando é feita a retirada das trompas a reversão torna-se impossível.

Engravidar depois de uma salpingoplastia é bem mais arriscado. Estudos mostram que o risco de uma gestação ectópica (quando o óvulo é fecundado na trompa e não no útero)  aumenta de 1 em 100 para 5 em 100.

Dessa forma, antes de realizar a cirurgia, é preciso conversar com um médico e analisar se a alternativa vale a pena. Em muitos casos, os obstetras recomendam que a mulher procure engravidar por inseminação artificial – processo que custará um pouco mais, mas será mais seguro e eficaz.


Referências usadas neste conteúdo

REVISTA BRASILEIRA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA. Seguimento de mulheres laqueadas arrependidas em serviço público de esterilidade conjugal. Disponível em < http://www.scielo.br/pdf/%0D/rbgo/v23n2/04054.pdf> 2001

REVISTA BRASILEIRA EM PROMOÇÃO DA SÁUDE. Permeabilidade tubária e gestação após reversão de laqueadura. Disponível em < http://periodicos.unifor.br/RBPS/article/view/984> 2006

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. Depois da laqueadura, o arrependimento. Disponível em < http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/abril2004/ju247pag11a.html> 2004

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Assistência em planejamento familiar. Disponível em < http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/0102assistencia1.pdf> 2002

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