Relação do Zika Vírus com a microcefalia – O que acontece?

O desenvolvimento de uma epidemia no Brasil de febre Zika (também chamada de febre do Zika vírus ou febre por Zika vírus), doença causada pelo Zika vírus (ou vírus Zika) e caracterizada por sintomas similares aos da dengue, já seria, por si só, o bastante para causar graves preocupações à população em geral e às autoridades da área de saúde em especial.

O fato de que o vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti (que também transmite a dengue), quando contraído por gestantes, está associado ao desenvolvimento anormal dos fetos, tornou o cuidado com a doença ainda mais importante e urgente.

Quando descobriu-se a relação do zika com a microcefalia

O vírus da Zika é conhecido desde a segunda metade da década de 40, quando foi isolado no continente africano em macacos e insetos, e, desde a década de 60, conhecem-se casos incontestáveis em que ele infectou seres humanos.

Foi, porém, apenas com a epidemia do vírus no Brasil nos anos de 2015 e 2016, a qual acabou por se espalhar por outras partes do continente americano, que se notou uma ligação entre a Zika em gestantes e o nascimento de crianças com microcefalia, condição em que o cérebro do feto não se desenvolve adequadamente e a criança possui uma cabeça menor do que o normal, além de outras anomalias do cérebro.

As evidências de infecção perinatal (contaminação do feto pela mãe durante a gravidez) foram se acumulando com o aparecimento de mais casos de mulheres que tiveram febre Zika e deram à luz crianças com microcefalia. Entenda aqui detalhes respondidos sobre a infecção. 

zika virus como funciona

Como o Zika vírus age na gestação

Um estudo publicado em junho de 2017 na prestigiosa publicação científica Science forneceu novas pistas sobre a ação do Zika vírus sobre a gestação. Segundo seus autores, o vírus da Zika liga-se a uma proteína chamada Musashi-1 (sigla:MSI1), a qual as células-tronco que irão formar o cérebro do bebê possuem em abundância.

A proteína MSI1 permite que os vírus se multipliquem rapidamente no interior das células infectadas, que acabam morrendo devido à ação do vírus. Além disso, ligada ao vírus, a proteína Musashi-1 não pode desempenhar seu papel na regulação da processo de formação do cérebro do bebê. Por esses dois motivos, há perda de células importantes para o desenvolvimento do cérebro dos bebês infectados, que pode acabar não se desenvolvendo adequadamente, dando origem, assim, a um tipo de microcefalia.

microcefalia e zika virus

Grupo de risco para a microcefalia

Está estabelecido o fato de que o Zika vírus responde pelo aumento no número de casos de microcefalia registrados no país recentemente. Contudo, convém esclarecer que nem toda microcefalia é causada pela contaminação da gestante pelo Zika vírus (bactérias, outros vírus, certas substâncias químicas e radiação também podem causar microcefalia) e nem toda gestante contaminada pelo vírus da Zika dará à luz uma criança com microcefalia.

Como a relação causal entre Zika vírus e microcefalia foi estabelecida há relativamente pouco tempo e, de qualquer maneira, muitos casos da febre Zika são assintomáticos (ou seja, a pessoa infectada não desenvolve sintomas, o que prejudica a identificação e contabilização de casos da doença), é difícil estabelecer a proporção de gestantes com o Zika vírus que dão à luz a bebês com microcefalia ou por quanto tempo após a contaminação da mulher a gestação ainda é de risco.

Confira aqui os principais que as grávidas devem ter durante a gestação. 

Consequências do Zika para o organismo além da microcefalia

O tratamento para a Zika é de caráter sintomático, ou seja, trata de aliviar os sintomas que o paciente apresente, entre os quais são comuns febre baixa, dores musculares e dores nas articulações.  Deve-se evitar o uso de ácido acetilsalicílico (AAS). De modo geral, os sintomas duram até uma semana – embora alguns deles, como a dor nas articulações, possam durar mais tempo.

Não há cura para a microcefalia de qualquer origem, mas a identificação precoce dos recém-nascidos com o problema e o acompanhamento do desenvolvimento deles pelos médicos pode ajudar a reduzir as complicações causadas pela doença.

microcefalia zika virus

Outra complicação possível – embora pouco comentada e bastante rara – da febre Zika é a síndrome de Guillain-Barré, um mal que tem entre seus sintomas fraqueza de pernas e braços e pode vir a paralisar músculos, inclusive os responsáveis pela respiração, ameaçando a vida do paciente, que pode precisar de ventilação mecânica.

Sabe-se que o mecanismo da doença é autoimune, ou seja, o sistema imunológico ataca o próprio organismo, no caso, células nervosas, cujo isolamento de mielina, um lipídio, acaba danificado.

As causas são desconhecidas, mas a síndrome também já apareceu ligada a doenças como a dengue e a agentes infecciosos como o citomegalovírus, a bactéria Mycoplasmapneumoniae e a bactéria Salmonellatyphi. Mais de 90% dos pacientes alcançam cura completa ou quase completa da Síndrome de Guillain-Barré.

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